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Qualidade do ar de interiores

Artigo escrito em 2014 por: ENG. LEONARDO COZAC – sócio diretor da Conforlab – www.conforlab.com.br  

A preocupação da sociedade brasileira com a qualidade do ar de interiores aumentou com a morte do Ministro das Comunicações Sérgio Mota no ano de 1998 decorrente de complicações causadas por uma infecção pulmonar muito provavelmente de uma bactéria proveniente do sistema da ar-condicionado.

Desde então Normas, Resoluções e Portarias foram formuladas com o intuito de organizar as práticas para o bom funcionamento e manutenção dos sistemas em estabelecimentos comerciais.

As principais conquistas nestes 14 anos foram a Resolução 09 da ANVISA de 16 de janeiro de 2003, a Portaria 3253 do Ministério da Saúde de 28 de agosto de 1998 e a NBR 16.401 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ( ABNT) que atualmente está em revisão no Comitê Brasileiro número 55.

As principais orientações destes 3 documentos sugerem o seguinte:

  • Não restrição ao uso de novas tecnologias comprovadamente eficientes e seguras que visem a manutenção da qualidade do ar;
  • Práticas para a correta limpeza do sistema de dutos e seus equipamentos;
  • Verificação das concentrações de Dióxido de Carbono (CO2) respeitando limite máximo de 1.000 ppm;
  • Filtragem de todo o ar insuflado;
  • Controle de Renovação do ar interior através de captação do ar exterior;
  • Verificação microbiológica da qualidade do respeitando parâmetros máximos de 750 ufcs (Unidades Formadoras de Colônia);
  • Verificação das concentrações de partículas PM 10;
  • Práticas para a correta manutenção do sistema de Ar-Condicionado em geral;
  • Exigência de um responsável técnico legal perante o CREA pelo sistema de climatização.

Todas as orientações, se bem aplicadas, resultam em ambientes interiores com qualidade de ar adequado. Por outro lado, empresas bem intencionadas muitas vezes não conseguem cumprir as ações das Normas por não encontrarem meios ou materiais adequados para isso. Muitos sistemas são antigos e há dificuldade técnicas de atender as normas e legislações. Muitas dessas empresas saem em busca de novas tecnologias seja para a melhoria do sistema de ar-condicionado seja para a melhoria do ar no ambiente em si como controle de odores, descontaminação de superfícies em geral e minimização dos efeitos poluentes de mobiliário, carpetes e máquinas de foto-cópia, entre outros.

NOVAS TECNOLOGIAS

Muitas são as tecnologias existentes no mercado para melhoria da qualidade do ar de interiores, no entanto poucas possuem eficiência cientificamente comprovadas. Algumas podem trazer riscos aos usuários se usadas incorretamente piorando em muito a qualidade do ar.

Abaixo as principais tecnologias de tratamento de ar não contempladas pelas Normas vigentes no Brasil mas que são reconhecidamente eficientes e seguras:

1) IONIZAÇÃO
Funciona através de cargas negativas disseminadas no ambiente que atrairão partículas de vários tamanhos através de suas cargas positivas derrubando-as ao chão ou dando-lhes peso suficiente para serem filtradas. Prós: Muito eficientes no controle de particulado dos ambientes, maximizando a ação dos filtros. Contras: Baixíssima ação em microorganismos ou gases voláteis e alto custo pela necessidade de instalação de várias unidades em ambientes maiores

2) OZÔNIO
Funciona através da geração do gás Ozônio (O3) que por sua vez é disseminado no ambiente. Prós: Excelente desodorizador, elimina qualquer tipo de cheiro de maneira natural sem deixar resíduos e eficiente na descontaminação microbiológica do ar e superfícies. Contras: Só pode ser usado em ambientes desocupados o que muitas vezes não é respeitado pelas industrias. Muito controlado nos países desenvolvidos, não pode produzir mais do que 0,5 ppm (OMS) e pode produzir classes secundárias de gases prejudiciais a saúde em ambientes ocupados.

3) FOTO-CATÁLISE HOMOGÊNEA
Consiste na produção e disseminação do oxidante Radical Hidroxila ( OH-) nos dutos ou através de equipamentos portáteis que por sua vez é disseminado no ambiente. Prós: Muito eficiente na descontaminação microbiológica e quebra de gases voláteis além de ter efeito desodorizador. Contras: Possui meia-vida muito curta gerando necessidade de muitos dispositivos para abrangência de ambientes maiores colocando sua eficiência em risco.

4) FOTO-CATÁLISE HETERÔGENEA
Baseado nas leis da natureza consiste na reprodução em ambientes internos do oxidante Peróxido de Hidrogênio (H2O2) com vários estudos publicados com comprovação de eficiência e segurança. Consiste na instalação de células dentro do sistema de ar-condicionado ou equipamentos portáteis nos próprios ambientes para a produção e disseminação dos oxidantes. Prós: Muito eficiente na descontaminação microbiológica, quebra de gases voláteis e excelente desodorizador natural sem deixar resíduos; comprovadamente seguro para uso em ambientes ocupados. Contras: Precisa de um estudo de dimensionamento rigoroso feito por projetistas ou empresa especializada.

 

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