Mantenedores

Problemas de campo em compressores – Parte 4 / 7

Estamos abordando nesta série de 7 artigos as falhas mais comuns encontradas em análises de compressores abertos vindos de campo. Hoje falaremos sobre a Partida Inundada. Explicando a falha, mostrando as principais causas, apresentando as consequências desta falha no sistema e por fim orientando como prevenir que este tipo de falha não ocorrá.

Partida Inundada

Em um sistema de refrigeração, o compressor é o último componente a esfriar durante uma parada, e o último a se aquecer, devido a suas peças em sua maioria serem construídas de ferro fundido. Logo, uma vez que a temperatura ambiente esteja elevada, o compressor será, após várias horas de parada do sistema, o componente com a maior temperatura.

A partida inundada ocorre quando há migração do fluído refrigerante geralmente durante as paradas do compressor (Ver também o artigo anterior sobre Retorno de Líquido), sendo resultado da condensação de fluído refrigerante nas partes do sistema em temperaturas de menor valor.

Quando o fluído refrigerante se condensa nos locais com temperaturas mais baixas (o que pode ocorrer também no compressor, se ele estiver em uma área aberta num dia frio) o fluído refrigerante irá circular como líquido para o cárter. 

Com isso, o fluído refrigerante condensado se aloja no compressor e tende a se misturar com o óleo lubrificante, tendendo a diluí-lo. Novamente, esta mistura fará com que o óleo perca suas propriedades lubrificantes, ocasionando, como já descrito, problema posteriores no compressor.

Quando o compressor por fim parte, ocorre uma mistura espumante (fluido refrigerante + óleo lubrificante diluido) que começa a limpar a película de lubrificante nos pontos onde esta mistura espumante for mais intensa. Ou seja, ao contrário do Retorno de Líquido que causará riscos em todas as peças internas móveis do compressor de forma igual a Partida Inundada mostrará riscos em algumas partes das peças mais afetadas de maneira desigual.

Para piorar, o fluído refrigerante e o óleo lubrificante diluído começam a evaporar a medida que as demandas sobre o compressor são exigidas fazendo com que haja atrito entre metal com metal nestas superfícies agora sem a pelicula lubrificante protetora.

Outra consideração a se fazer é sobre um grande acúmulo de fluído refrigerante no cárter. Se este de fato existir, ocorrerá um possível consumo extra de energia elétrica para comprimir líquido e não vapor; podendo em consequência disso um golpe de líquido na hora ou pouco tempo depois da partida com o compressor em funcionamento. (Falaremos de golpe de líquido no próximo artigo).

Principais causas:

  • Migração do fluído refrigerante para o compressor, que irá irá se condensar quando o compressor estiver como o componente de menor temperatura do sistema;
  • Falhas dos ventiladores do evaporador e condensador;
  • Falhas na válvula de expansão;
  • Excesso de fluído refrigerante no sistema;
  • Retorno de fluído refrigerante em estado líquido no sistema: O retorno de fluído refrigerante em estado líquido causa o resfriamento excessivo do bloco do compressor, que gera migração do fluído refrigerante causando a partida inundada quando o sistema é ligado novamente;

Principais efeitos:

  • Ocorrerá a diluição do óleo lubrificante, que gera a perda da capacidade de lubrificação do mesmo, principalmente durante a partida do compressor, causando o contato de metal com metal gerando o desgaste e entre as peças móveis do compressor e possíveis travamentos. Este contato entre as peças móveis do compressor pode, além disto, gerar um ruído excessivo, possíveis quebras das peças e vibrações anormais;
  • Espumação, se houver fluído refrigerante em estado líquido dentro do compressor durante sua partida, o óleo pode ser carregado em grande quantidade para fora do compressor na forma de espuma, o que irá causar uma perda temporária de lubrificação;
  • Empenamento das palhetas das placas de válvulas;
  • Aumento do consumo de energia elétrica (ocasionado principalmente nos períodos de partida).

Problemas decorrentes:

A partida inundada no compressor pode gerar os seguintes problemas:

  • Golpe de Líquido (próximo artigo a ser publicado);
  • Problemas de Lubrificação (artigo 6 desta série);

Como evitar:

  • Utilizar um aquecedor de cárter e verificar sua eficiência em caso de temperaturas ambientes muito frias;
  • Realizar a limpeza do sistema para eliminar os ácidos e resíduos provenientes da contaminação por umidade. Deve-se substituir os filtros secadores por filtros EK com alta capacidade de absorção de ácidos, umidade ou limalhas metálicas dentro do sistema;
  • Instalar um filtro secador na linha de sucção do compressor;
  • Verificar limpeza e fluxo de ar no condensador;
  • Analisar o funcionamento do sistema, no dispositivo de expansão, no evaporador e na carga do fluído refrigerante (o superaquecimento deve ser seguir o que o fabricante da máquina recomendar);
  • Verificar o superaquecimento do fluído refrigerante na linha de sucção. Havendo golpe de líquido, o superaquecimento tenderá a 0K (Zero k) e o efeito desta mistura removerá todo o filme de lubrificação das partes móveis do compressor;
  • Verificar se há longas paradas do compressor. Se houver poderá estar ocorrendo partidas inundadas (A diluição do óleo lubrificante com o fluido refrigerante ocorre durante as paradas prolongadas do compressor, fazendo com que ele perca grande parte das suas qualidades de lubrificação);
  • Após a instalação do compressor no sistema, pressurizar com nitrogênio e realizar testes de vazamento. Evacuar o sistema com mínimo de 500 microns (0,0005 = ou seja, utilizar vacuômetro digital para conseguir verificar essa medida!);

 

Entre para postar comentários

Social

Topo